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Campo São Francisco/Campo da Conceição/ Praça 5 de Outubro |

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Designação: Campo São Francisco/Campo da Conceição/ Praça 5 de Outubro
Freguesia: São José
Data(s) de construção: XV – XXI
Coordenadas GPS: 37°44'15.33"N 25°40'23.02"W
Caraterísticas: Designado como rossio em finais do século XV, contava com uma atafona e três ermidas próximas (São Pedro Gonçalves, Nossa Senhora da Conceição e São Brás). Zona de passagem entre o centro histórico e o ermo a poente, conhece importantes obras no século seguinte com a construção do Mosteiro Franciscano, Convento da Esperança, Forte de São Brás e de um anel de água, para apoio a clérigos e à população. Por altura do ataque dos mercenários franceses (1582), era já área de eleição pelas oligarquias locais. Nos séculos seguintes, novas campanhas de obras nos mesmos edifícios, adossando-se à igreja franciscana a ermida de Nossa Senhora das Dores (c. 1780). Tida como a mais antiga praça de Ponta Delgada, apoiava o comércio de exportação via porto comercial e primitivo, anexo à fortaleza e motivo da sua construção. Multifuncional no auxílio à população, serviu até à atualidade como zona económica e de lazer, exercícios, formaturas e cerimónias militares, entre mais.
Histórico: Esta praça comercial era tal forma concorrida, que a Câmara Municipal se viu obrigada a retirar para outro local as lenhas e madeiras (1819), privilegiando a venda de peixe ou de porcos. Foi lugar dos festejos da vitória dos liberais de D. Pedro IV (1831) e visita do Duque de Bragança (1832). Em 1838, num processo que mudará paulatinamente o comércio para novas áreas da cidade, recebe a iluminação pública a azeite. Principal palco das festas do Senhor Santo Cristo (c. 1700), encerra uma profunda espiritualidade entre a população e a Imagem, principalmente em contextos de crise como a do sismo de 16 de abril de 1852 que fez pernoitar em oração cerca de duas mil pessoas. Aterrado e nivelado em 1868, absorveu parte do adro da antiga igreja franciscana, mais tarde rematado por ordem camarária com três escadas (1886). No mesmo ano, iniciam-se as obras do atual pórtico do hospital, assim como o lajeamento da zona fronteira e da igreja, num ciclo de obras que implicará a demolição da cerca do Convento da Esperança para dar lugar à Avenida de Capelo e Ivens (1885) e a renovação de algumas residências da burguesia e da iluminação, que passa a petróleo (1871) e depois a gás (c. 1877). A 11 de setembro de 1891 suicida-se num banco próximo ao convento Antero de Quental e a 9 de outubro de 1910 assiste-se à rendição da bandeira da Monarquia pela Republicana na fortaleza, passando a designar-se de Praça 5 de Outubro. 21 anos volvidos, novo cerco à fortaleza marcou a breve “Revolta dos Deportados” ou “das Ilhas dos Açores e da Madeira”, uma das mais importantes contra a Ditadura Militar. Durante a II Guerra Mundial, conhece novo ciclo de obras, à semelhança dos principais edifícios envolventes, que são camuflados. Após o conflito, perde a antiga capitania (1952) para a nova avenida litoral (c. 1950), espaço hoje marcado pela “Estátua ao Emigrante” de Álvaro França (1999). Contendo um centenário metrosídero, classificado como Património de Interesse Público (1965), conheceu essencialmente três coretos, perdendo-se o original (1871) num incêndio (1957), substituído por um segundo em estilo Art Decó (1972), de curta duração, inaugurando-se a base do atual, sete anos depois, mantendo-se no fundamental, apesar das sucessivas intervenções.
Fontes/mais informações:
DIAS, Fátima S., Ponta Delgada: 450 Anos de Cidade, Ponta Delgada, Câmara Municipal de Ponta Delgada, 1996.
FERREIRA, Manuel, Ponta Delgada – A História e o Armorial, Câmara Municipal de Ponta Delgada, Ponta Delgada, 1992.
RODRIGUES, José Damião, Poder Municipal e Oligarquias Urbanas – Ponta Delgada no século XVII, Instituto Cultural de Ponta Delgada, Ponta Delgada, 1994.
SOUSA, Nestor de, A Arquitetura Religiosa de Ponta Delgada nos Século XVI a XVIII, Universidade dos Açores, Ponta Delgada, 1986.
Secretaria Regional de Educação e Cultura, Direção Regional da Cultura, Árvores Classificadas na Região Autónoma dos Açores (RAA), p. 1 in http://www.culturacores.azores.gov.pt/ficheiros/legislacao/20195212279.pdf (consultado a 11-10-2023)
Crédito fotográfico: Fernando Abreu - AFAA
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