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A exposição Um Ritmo Interior estará patente ao público de 15 de setembro de 2026 a 15 de janeiro de 2027, na galeria de exposições do Casino Azores
A galeria de exposições do Casino Azores apresenta Um Ritmo Interior, uma exposição que reúne, pela primeira vez, a pintura de Fernando Tordo e Margarida Freire. Com 38 obras, a mostra coloca em diálogo dois percursos artísticos distintos, unidos por uma mesma necessidade de criação.
Reconhecido como uma das figuras maiores da música portuguesa, Fernando Tordo revela nesta exposição uma faceta menos conhecida do seu percurso artístico. Na pintura encontra um espaço de liberdade e experimentação, onde a imagem surge sem as exigências próprias da composição musical. Em contraste, a obra de Margarida Freire nasce de uma relação profunda com a música, transformando músicos, instrumentos e canções numa linguagem visual singular.
Mais do que estabelecer correspondências entre música e pintura, Um Ritmo Interior propõe uma reflexão sobre a criação artística enquanto impulso comum. Embora partam de experiências distintas, ambos demonstram que a necessidade de criar antecede qualquer linguagem e pode encontrar diferentes formas de expressão.
Ao longo do percurso expositivo, abstração e figuração, intensidade cromática e depuração formal, memória e imaginação cruzam-se num diálogo onde cada artista preserva a identidade do seu universo plástico. O resultado é uma exposição que convida o público a descobrir afinidades inesperadas e a reconhecer como diferentes percursos podem convergir numa mesma experiência criativa.
Mais do que um encontro entre dois artistas, Um Ritmo Interior constitui um convite à descoberta da arte como espaço de liberdade, memória e imaginação, revelando que, para além das linguagens e das disciplinas, o verdadeiro ponto de encontro reside no próprio ato de criar.
Sobre os artistas
Fernando Tordo (Lisboa, 1948)
É um dos mais destacados cantores, compositores e autores da música portuguesa contemporânea. Ao longo de seis décadas de atividade artística, construiu uma obra que marcou profundamente a história da canção portuguesa, distinguindo-se pela qualidade da composição, pela singularidade da sua linguagem musical e pela capacidade de cruzar diferentes universos estéticos.
O seu percurso ficou intimamente ligado ao poeta José Carlos Ary dos Santos, numa das mais importantes parcerias criativas da música portuguesa. Da união entre a música de Fernando Tordo e a palavra de Ary nasceram algumas das canções mais emblemáticas do repertório nacional, hoje património da memória coletiva.
Entre 1982 e 1986 residiu nos Açores, na Ilha do Faial, onde compôs dois dos seus mais importantes álbuns Anticiclone e Ilha do Canto, amplamente premiados e que assinalam a sua colaboração com François Rauber, histórico orquestrador e diretor musical de Jacques Brel.
Nas décadas seguintes, manteve uma atividade artística ininterrupta, continuando a compor, gravar e subir aos palcos com a mesma exigência criativa que caracteriza todo o seu percurso. Em 2025 celebrou 60 anos de carreira artística, assinalando uma obra de excecional longevidade e um contributo incontornável para a música portuguesa.
Paralelamente à música, encontrou na Pintura um território de absoluta liberdade criativa. Iniciada no início da década de 1990, a pintura surgiu de forma espontânea e transformou-se, desde então, numa necessidade permanente de expressão. Embora autónoma da sua atividade musical, a pintura constitui um prolongamento da mesma inquietação criativa, afirmando-se como um espaço de experimentação, curiosidade e recolhimento.
O seu trabalho plástico tem vindo a ser apresentado em diversas exposições individuais, revelando uma linguagem própria, marcada pela intensidade cromática, pela riqueza formal e pela construção intuitiva da composição.
Em reconhecimento do seu contributo para a cultura portuguesa, foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem do Mérito. Foi ainda distinguido com o grau de Comendador da Ordem da Liberdade.
Margarida Freire (Ponta Delgada, 1978)
Iniciou o seu percurso profissional na área do design gráfico, mas foi nas artes plásticas que encontrou o espaço privilegiado para desenvolver a sua expressão criativa, uma vocação que a acompanha desde sempre.
Licenciada em Design Gráfico pelo IADE e pós-graduada em Mercado da Arte e Colecionismo pela Universidade NOVA de Lisboa, exerceu também atividade pedagógica, lecionando artes plásticas e informática no ensino pré-escolar e no 1.º ciclo do ensino básico.
A música constitui um elemento estruturante da sua prática artística, influenciando de forma transversal a sua produção visual. A sua obra centra-se frequentemente na representação de figuras marcantes da cultura e da música, interpretadas através de uma linguagem expressiva que articula pintura, ritmo, cor e composição gráfica.
Participou em exposições coletivas na Sestante Art Gallery e na Casa da Cultura Joaquim Costa Chicória, tendo realizado exposições individuais na Galeria de Arte de Cascais, no Festival Internacional de Blues de Faro, no Lagoa Jazz Fest e no BB Blues Fest.
Recentemente, uma obra sua foi integrada na coleção do Peggy Lee Museum, após ter sido adquirida por Holly Foster Wells, neta de Peggy Lee, que reconheceu na pintura da artista uma notável capacidade de captar a personalidade e a presença da lendária cantora norte-americana. Este reconhecimento constitui um marco relevante no seu percurso e uma homenagem ao legado de uma das grandes vozes da música do século XX.
Sobre o projeto cultural do Casino Azores
A programação artística e cultural do Casino Azores integra a prossecução do seu compromisso com o desenvolvimento sustentável de projectos na área do entretenimento e das artes, respeitando a envolvente socio-económica e oferecendo valor aos seus clientes, colaboradores, fornecedores, parceiros e comunidade.
Reconhecendo a importância de criar experiências acessíveis e integradoras, a empresa assume o papel de facilitador, promovendo iniciativas que valorizam a arte e as diferentes expressões criativas, contribuindo, desta forma, para o enriquecimento da comunidade.
Sendo a arte uma linguagem que dá acesso a novas formas de ver o mundo, que possibilita reflexões profundas sobre a realidade, que promove ligações entre diferentes culturas e fomenta a criação de empatias, o Casino Azores procura desenvolver projetos e iniciativas que transcendam barreiras e aproximem o público de dimensões emocionais, intelectuais e sociais, ampliando a compreensão do ser humano e da sociedade.
Foi, neste contexto, criado o projeto “Pontes Culturais”, cujo fim último é o de colocar a cultura ao serviço da sociedade e proporcionar um espaço dinâmico e inclusivo onde a arte possa ser apreciada, partilhada e discutida, através de uma programação anual abrangente e diversificada. O projeto promove o intercâmbio entre artistas locais, nacionais e internacionais, fortalecendo os laços entre criadores, públicos e diferentes territórios, através das artes e da criação contemporânea.
Com exposições, performances, workshops e outras atividades ao longo do ano, a iniciativa afirma-se como uma plataforma de diálogo que pretende envolver e inspirar o público, incentivando a sua participação ativa na vida artística e cultural da região.
18:30
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